Com R$ 169,2 milhões recebidos do Fundo Eleitoral no país, legenda enfrenta reclamações sobre estrutura, distribuição de recursos e compromissos não cumpridos no Maranhão
O fogo no parquinho está aceso no PDT do Maranhão. Em plena campanha eleitoral, cresce a insatisfação entre postulantes a deputado estadual e federal, que reclamam da falta de apoio e do descumprimento de compromissos assumidos durante a formação das chapas.
Nos bastidores, a crise já provoca ameaças de retirada de candidaturas. Entre os insatisfeitos estão Pastor Amorim e Charles dos Carrinhos, que encontram dificuldades até mesmo para conversar com os principais dirigentes da legenda.
“Estamos largados ao léu. Não houve reunião nem orientação partidária desde o início da campanha. Erlanio sumiu, fomos ludibriados com o canto da sereia”, disse um dos integrantes da nominata.
O descontentamento contrasta com o tamanho do caixa eleitoral. Segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, o PDT recebeu R$ 169.285.643,92 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha em 2026.
No Maranhão, os valores declarados à Justiça Eleitoral ajudam a dimensionar a divisão do dinheiro. Entre os federais, Erlanio Xavier recebeu R$ 1 milhão, Raimundo Penha R$ 500 mil, Alberto Sousa, Carlos Zangirolami e Samuel Aragão R$ 400 mil cada, enquanto Cirineu Costa recebeu R$ 350 mil.
Entre os estaduais, Maedja Campos e Marleidy Bernabé receberam R$ 300 mil cada, João Igor Carvalho e Cid Costa R$ 200 mil cada, enquanto Arnaldo Gomes recebeu R$ 150 mil. Na majoritária, Weverton Rocha recebeu R$ 3 milhões do Fundo Eleitoral repassados pela Direção Nacional.
A tabela das proporcionais aponta R$ 4,5 milhões identificados entre os federais e R$ 1,75 milhão entre os estaduais, totalizando R$ 6,25 milhões. É justamente a divisão desse montante que alimenta uma das principais críticas internas.
O problema, porém, vem de antes da eleição. Segundo integrantes da legenda, a concentração histórica de espaço político e apoio em torno de poucos grupos afastou lideranças ao longo dos anos e cobrou seu preço na formação das chapas de 2026, consideradas frágeis e pouco competitivas.
O desgaste alcança também Weverton Rocha, principal nome do partido no estado e candidato à reeleição ao Senado. Além das dificuldades eleitorais, o senador enfrenta os reflexos das investigações da Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS, além de suspeitas de lavagem de dinheiro. Weverton nega qualquer irregularidade.
A realidade atual contrasta com a história da sigla. Sob a liderança de Jackson Lago, o PDT conquistou três vezes a Prefeitura de São Luís, manteve o comando da capital com Tadeu Palácio e chegou ao Palácio dos Leões em 2006. Duas décadas depois, entra na disputa sem controlar o Governo do Maranhão ou a Prefeitura de São Luís e muito distante da força política que já ostentou.
No frigir dos ovos, a conta preocupa. Chapas pouco competitivas, postulantes insatisfeitos, ameaças de desistência, dinheiro concentrado e o desgaste de sua principal liderança formam uma combinação que pode cobrar caro nas urnas e deixar o outrora poderoso PDT sem representação proporcional no Maranhão.
E o fogo no parquinho não para por aí. Na próxima matéria, a apuração avança sobre outro ponto que chama atenção nas chapas do PDT, a possibilidade de candidaturas fictícias e os indícios que cercam sua formação. Veja quanto os pedetistas já receberam.


