Itamargarethe Corrêa Lima — jornalista, radialista e advogada, pós-graduada em Direito Tributário, Direito Penal e Processo Penal, pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.
Neste nosso encontro de hoje, propõe-se uma reflexão inspirada nos ensinamentos repassados pelo jornalista espírita Eurípedes Barsanulfo, cuja contribuição permanece atual na análise das angústias humanas sob uma perspectiva espiritual. A partir dessa base, toma-se como ponto de partida a advertência do apóstolo Paulo, segundo a qual “tudo é lícito, mas nem tudo convém”, para compreender a gênese do vazio existencial.
Quando essa máxima é interpretada exclusivamente sob a ótica humana, dissociada de qualquer referencial mais profundo, ela deixa de orientar e passa a legitimar uma liberdade desprovida de direção. A sociedade contemporânea, estruturada sobre parâmetros de sucesso material e validação social, incentiva a busca incessante por conquistas externas.
O indivíduo é conduzido a acreditar que a realização está no acúmulo, no status e na satisfação imediata dos desejos. Essa lógica, embora formalmente aceitável, revela-se incapaz de sustentar a plenitude da existência.
Há uma dimensão interior que exige coerência, propósito e sentido. E, quando isso é negligenciado, instaura-se uma ruptura silenciosa. Digo: o indivíduo cumpre as expectativas sociais, mas se distancia de sua própria essência.
É nesse cenário que emerge o vazio existencial. Mesmo diante de conquistas reconhecidas, instala-se uma sensação persistente de insuficiência.
A ausência não é de bens, entretanto, de sentido. Vive-se como quem possui tudo externamente, todavia carece do essencial internamente.
Esse processo ocorre de forma gradual. A negligência contínua da interioridade fragiliza a estrutura emocional, tornando o indivíduo mais suscetível à angústia e ao isolamento. O desconforto inicial evolui para uma percepção mais profunda de desconexão com a própria vida.
A advertência paulina, portanto, não restringe a liberdade, mas a qualifica. Não basta poder fazer, é necessário discernir o que convém. A ausência desse discernimento inaugura o caminho do esvaziamento interior, cujos desdobramentos serão aprofundados no nosso próximo encontro. Até breve!!
